quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O amor é a luz branca

     É pálido, leve, é apenas um instinto. E nossas pupilas são os prismas que tentam separar as cores, em busca de algum sentido, pois os olhos são pequenos demais para enxergar tamanha grandeza.
     Mas na busca pela razão, podemos nos afogar em loucura: Gatsby sucumbiu à doentia luz verde. Milhões de mulheres caem em abismos sem cor, confusas e envoltas no vermelho intenso de uma paixão. E o pior dos casos: aquelas pessoas que nunca se deixam atingir pela luminosidade; nascem, vivem e morrem na penumbra.
     E também  há aqueles que abrem todas as persianas e chegam a quebrar os vidros. Podem apresentar certo grau de astigmatismo. Não filtram as as cores. Enxergam o amor em sua parcial totalidade. Tendem a ser cegos e felizes.
     Não há caminho certo — nem para o amor nem para nada — os tijolos amarelos são mera convenção.  Esteja de sapatinhos de rubi ou descalça, tudo que pode levá-la são seus próprios calcanhares,  mas não se engane, eles nunca a levarão de volta; da segunda vez que andas por um caminho, ambos estarão mudados. E é aí que está toda a graça. 

(Pra Lara, que com seus sapatinhos vermelhos longe de seus pés, encontra sua estrada de tijolos de uma cor qualquer e atravessa os caminhos que vierem em seu mototaxi, guiada sempre pela sua luz)

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