segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Vendedor de Balões-Sonhos


  O vi pela última vez sentado no banco da praça. Já era muito velho e tinha o olhar perdido, sereno. Em uma das mãos segurava vários balões, cheios de cores, e com eles parecia que ia subir aos céus a qualquer momento E ele estava tão leve naquele dia!
   Um balão amarelo lhe escapou e começou a subir. O senhor continuava sentado, calmo, como se nada tivesse acontecido Eu observava o balão subir. E quando ele alcançou um ponto tão alto no céu que cobriu o Sol, estourou. Caiu do céu, então, uma leve garoa solar, que abençoava de luz a mim e a todas as crianças que ali brincavam. Elas não perceberam, mas eu olhava tudo atentamente, enquanto o homem ainda encarava o nada, esboçando doce sorriso, parecendo estar a par de tudo. As luzes flutuavam à minha volta, as crianças riam. Era como ver o mundo pela primeira vez. Senti-me invadida por tamanha felicidade, uma felicidade pura, ingênua. Eu estava tão leve naquele dia!  
   Leve também era o balão que vinha flutuando até mim, com a graça de uma bailarina. O segurei com uma das mãos. O vendedor me observava e fez um gesto para que ficasse com ele. Maravilhada, segurei com as duas mãos minha nova jóia. Era vermelho, mas não doía como normalmente doem as coisas vermelhas; era morno como a manhã.  
   Subitamente o balão estourou e eu olhei em volta, assustada, procurando o senhor. Ele havia estourado. Verifiquei minhas mãos e vi os restos do balão vermelho, e ali, bem no cantinho, lá estava: o olhar sereno do homem. Foi só isso. Foi tudo isso.

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